Atacama
Desierto de Desiertos


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Concertos, Consertos e Arapongas

23 de Janeiro de 2006

Que bela noite de sono, o mais engraçado foi acordar com um toque de celular um tanto estranho. Para variar só podia ser do Delon. O toque normal é uma vaca mugindo e o despertador são gaivotas, pode? Pois bem, depois de acordar ao som de pássaros e sapos coaxando na rua, o que foi um verdadeiro concerto antes do sono e aliás, o dia inteiro, um chimarrão para começar o dia. O dia estava chuvoso, o que foi muito útil para conseguirmos água. Ronaldo se mostrou um exímio coletor de água de calha. Tinha mais panela, vasilha, cumbuca, espalhado pelo pátio que dentro de casa. Mas essa água toda serviu para lavar a cara pela manhã, escovar os dentes e lavar a louça. Banho que é bom nada. Mantinha em meu corpo o sal e o suor do dia anterior, mas só o fato de lavar a cara foi o suficiente para me sentir limpo. Os primeiros a ficar de pé foram o Paulo, Ronaldão e eu. Durante uma térmica de água o pessoal foi acordando. Depois de comer algo Paulo, Gustavo e eu resolvemos procurar um mecânico. Passamos na primeira, fechada, seguimos pela estrada e achamos outra, Dinamic, uma mecânica pequena mas organizada (segundo Paulo um motivo para confiar), entramos e pedimos ao mecânico, Paulo também (mais um motivo para confiar segundo o seu chara), se era possível atender a todos os quesitos que tínhamos anotado. Segundo ele era possível sim, tirando parte elétrica e compra de materiais. Bueno a primeira coisa que ele arrumou foi o acelerador. O mecanismo é muito simples, se todas as peças estiverem em seus lugares, se não tiver peça a menos, e por incrível que pareça, se não tiver peça a mais. No nosso caso o acelerador, e o pedal estavam ruins por ter uma mola a mais no mecanismo todo, tirando a mola ficou perfeito. Uma mola a mais! Onde o mecânico do Delon estava com a cabeça? Isso foi motivo de piada durante boa parte do trajeto.

Depois de tirar a mola, viu que um dos carburadores não estava regulado pela falta de uma peça, e isso fazia ela gastar muita gasolina. Fez uma peça na hora mesmo com um pedaço de arame. Agora sim a Kombi estava ficando boa! Diz que toda Kombi que se presa tem que ser arrumada no arame, e a nossa ganhou um. Que alegria! É verdade que mecânica de Kombi é no arame. Não bastasse isso o cabo que soltava do carburador foi preso com uma borrachinha de dinheiro. Agora sim senti firmeza na Kombeta! Depois desse show de conhecimento do mecânico pedimos para ver o que estava acontecendo no painel. Para esse tínhamos que comprar um cabo novo. Este cabo é na forma de um quadrado, uma das pontas fica presa na roda e a outra vai até um engate que fica atrás do painel. No momento que a roda gira ela gira o cabo também que por sua vez gira o mecanismo no painel que faz funcionar o velocímetro e o odômetro. Os Paulos saíram para ver se achavam o tal cabo, mas nada. Já era próximo ao meio dia, depois que os Paulos voltaram da busca, fomos almoçar e a tarde voltaríamos para terminar a geral na Kombi.

De volta ao lar, Paulo foi para a cozinha, fez uma massa com sardinha e cebola. Até o momento não sabia que o Delon não gosta de cebola. Isso foi um prato cheio para ele ficar com os cornos tortos. Durante toda a viagem do dia anterior ele já estava meio bravo, se irritava fácil, mas não sabíamos porque e ele tão pouco explicava o motivo. O Paulo não perdoava, cada vez que podia dava uma alfinetada só para ver o que acontecia.

Depois de encher o bucho e arrematar com um cafezinho o sofá chamava mais alto. Depois de ter comido peixe no almoço, o assunto não pode ser outro, pescaria, e disso o Ronaldo, pelo que falava, entende. Segundo ele é possível pegar 5 "olas" em um só anzol. A "ola" é um peixe que não morde a isca, só chupa. Logo se colocar um monte de minhocas no anzol, mais olas poderá pegar, dês de que as minhocas fiquem balançando. Só vendo para crer. Contei as histórias da minha família com pescaria também, que não são poucas. Depois de muito trovar eu e Paulo saímos para procurar o maldito cabo do painel. Desta vez fui no volante. Perto do que tinha dirigido antes, agora a Kombi está um luxo. Até salta a cada pisada no acelerador, que beleza! Agora estou começando a sentir firmeza no "Pingüim Alado". Tivemos que ir até Nova Tramandaí para achar a dita peça, aproveitamos e compramos a chave de roda e a peça para o vidro do carona. Durante o caminho o Paulo colocou a maçaneta na porta arrumando assim o vidro do carona, e na borracharia, entregamos o cabo para o outro Paulo e "voa-lá"! O Velocímetro funcionou de primeira. As proteções do farol era besteira, agora só faltava a acertar a lenta e colocar os cintos, este resolvemos fazer em casa mesmo. A lenta ficou para o mecânico.

Veja todas as imagens no link ao fim da páginaAgora sim a Kombi estava um luxo, um som harmônico, painel e acelerador funcionando e com o vidro do carona fechado. Fomos até a casa buscar a bandeira e o resto do pessoal para uma foto e a assinatura, porque esse mecânico merece um lugar na bandeira. Na imagem a seguir da direita para a esquerda, temos o fiel ajudante do Paulo e ao seu lado "O Salvador" Paulo.

Esperávamos uma verdadeira fortuna por tudo que ele fez na Kombi, mas não só R$ 25,00. E além de nos poupar grana, nos deu um apoio moral que estava faltando para esta viagem. O que mais ouvíamos é que a Kombi ia nos deixar na mão, que Kombi não é carro para isso, que éramos loucos e por aí vai. E ele pelo contrário, disse que a Kombi era o carro mais indicado para esse tipo de viagem, que iríamos e voltaríamos com ela. Que beleza! Era isso que queríamos ouvir. Bom agora com animo e Kombi renovado voltamos para casa.

Chegando foi a vez do Vini mostrar serviço, se atracou em fios para fazer funcionar o rádio. Tudo conectado conforme instruções do próprio rádio e nada. Tira fio, troca de lugar, pega outro, junta daqui, junta dali. E nada. Faz tudo de novo, palpite de tudo que é canto, e nada. Quando ia desistir ele se lembra! "O negativo tem que aterrar em qualquer canto!", e pode ter certeza de fio terra o Vini entende. Dito e feito, o rádio funcionou! Mais motivos para comemorar.

E a melhor forma seria um banho de mar e depois um na lagoa de Cidreira, assim aproveitaríamos e tomaríamos um banho. Juntamos todas as tralhas e fomos para a praia. O mar estava melhor que o do dia anterior, mais alguns jacarés, e agora na luz do dia era melhor. Paulo e Ronaldo resolveram ficar de fora da folia e beber num quiosque na beira da praia. Depois que saímos do mar, gelamos, o vento estava muito frio, mas tínhamos que tomar o segundo banho do dia. Agora de água doce, lá na lagoa. Pelo que diziam era a só quinze minutos da casa do Delon. Seguiram na direção da lagoa só os que tomaram banho de mar, Paulo e Ronaldo foram para casa beber e fazer a janta.

Chegamos a beira das dunas, subimos e descemos. Subimos novamente e descemos, e por mais incrível que possa parecer a lagoa estava logo ali, talvez em uns 8 ou 9 minutos chegaríamos nela. Algumas dunas eram bem altas e para descer mais rápido pulávamos lá de cima, estávamos mais para um bando de crianças felizes que qualquer outra coisa. Muito divertido, durante o percurso nos deparamos com uma toca de "Araponga", desabitada, segundo o especialista Gustavo Führ. Para explicar as "Arapongas" teria que fazer um capítulo a parte, mas comecemos por uma explicação breve. As "Arapongas" são animais, ou será uma entidade? Que seja, de momento digamos que é um animal, que pode ser, segundo o nosso especialista "rasteira", "voadora" e "noturna". Seguimos caminhando pelas dunas de Cidreira, sons estranhos, estalos e uns matinhos que perfuravam os pés nos acompanhavam por todo o trajeto. E por mais que caminhávamos a lagoa estava sempre a mesma distância. A noite foi chegando e nada de lagoa, era impressionante para todos os lados era só areia e a nossa frente a lagoa, que a estas horas mais parecia uma miragem. ESTAMOS NO DESERTO!!! Quando finalmente chegamos a beira da lagoa, vimos que tinha pelo menos uns 20 metros de mato a nossa frente, e mesmo que chegássemos a água não voltaríamos limpos. Um pensamento me veio a cabeça. MERDA! Fomos um pouco para a direita e achamos um lago, a água ia até a cintura e estava limpa. Tomamos banho ali mesmo. Já era noite fechada, e tínhamos que voltar, e se guiar a noite num lugar sem referências sem nada na mão é uma droga. Viramos a direita e seguimos, andamos muito e nada se parecia com o lugar por onde havíamos passado. As opiniões sobre o caminho de retorno, eu e o Delon queríamos ir sempre pegando um pouco a esquerda e o resto do pessoal ir para a direita. O resultado é que os dois estavam errados. Chegamos a rua, mas não era nem de longe perto da nossa, resolvemos por pegar a direita nesta rua e ver no que dava, andamos umas quatro quadras e finalmente achamos a nossa rua. Que coisa, conseguimos nos perder nas dunas de Cidreira. Nos perdemos mas pelo menos estávamos limpos.

Agora só restava comer alguma coisa, beber algo com álcool para esquentar rápido. Jogamos algumas partidas de xadrez e fui dormir. Até dormir levou um tempo, pois o coaxar dos sapos na rua estava mais alto que o normal. Ou será que agora os meus ouvidos estavam limpos?

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