Atacama
Desierto de Desiertos


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Porque partir para 700km de reta?

27 de Janeiro de 2006

Depois de uma boa noite de sono, acordo por volta das 9 horas refeito. Primeira coisa é lavar a cara e escovar os dentes, só depois que começo a raciocinar. Tínhamos que levar as garrafas de cerveja para o mercado, assim teríamos 15 pesos de volta. Ronaldo se habilitou e fomos até lá. Devolveram-nos a grana sem ao menos tentar passar a perna, Veja todas as imagens no link do fim da páginarealmente estava muito enganado sobre os Argentinos. Voltando ao nosso acampamento, com direito a bandeira e tudo, comi um pão e fiquei admirando o lugar. Esta manhã ele estava tomado por crianças, acredito ser alguma gincana, ou só uma aula diferente. O lugar é muito bonito e aconchegante, muita sombra, lugares para churrasco, mesas, parque infantil completo, grama aparada, e limpo. Poucos parques por aqui no sul são tão bem cuidados. Esta é a visão escorado na Kombi. Exatamente atrás está a churrasqueira e mais alguns metros passa uma avenida. A direita e a esquerda da churrasqueira tem uma mesa alta sem cadeiras. Na borda do lago mais a direita na foto anterior tem uma pia, onde fui dar uma lavada na roupa suja. Que já acumulava e cheirava. Feitas as obrigações almoçamos e dormimos mais um pouco. A manhã deste dia foi bem tranqüila, só comemos jogamos conversa fora e dormimos. O que foi proveitoso foi o crescimento do conhecimento sobre as Arapongas, o assunto entre o Vini, Gustavo e eu foi de grande valia. Fiquei sabendo da existência de outro tipo de Araponga, a "Araponga Negra", essa sem dúvida era a mais forte de todas. Pois o seu grito, para terem uma idéia do poder, fazia Deus tapar os ouvidos com as mãos. Foi por causa dela que ele demorou 7 dias para criar o mundo, se ela não ficasse gritando toda a hora sem dúvida ele terminaria antes.

Arapongas a parte, roupa lavada, sono feito. Tava na hora de conhecer a cidade. Entramos na Kombi e fomos todos para o centro. Durante o caminho podíamos constatar que esta cidade realmente era a cidade dos artesãos. A cada 5 metros tinha uma escultura, ou qualquer forma de expressão artística. Levei o pessoal até o centro da cidade, onde tinha a praça e a Prefeitura, estacionamos a Kombi, máquinas em punho e vamos ao passeio turístico.

Veja todas as imagens no link do fim da páginaA esquerda a Prefeitura da cidade, e a direita a escultura de um cachorro o "Fernando",Veja todas as imagens no link do fim da página esta escultura fica na esquina do prédio da Prefeitura, e detalhe interessante, ela é a homenagem do povo a um cachorro que era conhecido de toda a cidade. Atravessando a rua fomos para a praça principal da cidade. Muito arborizada e para variar cheia de esculturas e monumentos. Já na entrada uma parede toda trabalhada, mais adiante uma fonte onde um labrador tomava água. E o monumento central, que infelizmente não me recordo o nome, mas pelo que "Sol" nos falou foi o responsável pelo nome da cidade. Foi ele que resistiu a tudo e mais um pouco. Nesta praça central tinha monumentos para todos os gostos, de cimento, madeira, ferro, todos muito grandes e muito bem conservados. Entre os que vimos só um estava depredado.

Nossa intenção além de conhecer a cidade, era de achar uma "lan-house" ou qualquer ponto com acesso a internet. Não foi muito difícil de encontrar, e para variar outro espanto com o preço. Acesso de uma hora por apenas um peso. Onde no Brasil você encontra acesso por R$ 0,73 a hora? Não cheguei a ficar uma hora respondendo mensagens, escrevendo outras, fiz uma ligação para celular e no final das contas não gastei 5 pesos. Que alegria! Saí da "lan" e fui procurar o pessoal, estavam vindo para ver se estava vivo ainda. Agora outra coisa a fazer, trocar a grana que tínhamos para peso. O problema é que a sede estava batendo, sede... Cerveja! Paramos em um posto de gasolina e compramos umas cervejas de todos os cantos do mundo, se não me engano foi uma da Alemanha, uma da Croácia e a terceira acho que era da Argentina mesmo. Neste posto encontramos outra coisa que merecia uma foto. Veja todas as imagens no link do fim da páginaUm saco de meio quilo de batata "Lays", não tinha visto nem no "Big" ou no "Macro". O pessoal do posto não entendeu a empolgação, e nós não estávamos com paciência de explicar. Ficou por isso mesmo. Saindo do posto, seguimos as indicações do atendente e chegamos a casa de cambio. Mais um pouco e não trocaríamos a nossa grana, pois estava quase fechando. O Gustavo com sua mania de fotos queria tirar umas fotos do local, mas não deixaram. Óbvio!

Já estava escurecendo, voltamos para a Kombi. Ao entrar uma pergunta pairou pelo ar... "O que vamos comer?", "Carne!" foi a resposta em coro. Agora saímos a caça de uma "carniceria", para não ter perigo segui em linha reta. Passamos pelo mercado que tínhamos ido ontem, pelos bares e chegamos a um açougue. O Gustavo, o Paulo e eu descemos para comprar a carne, queríamos picanha e alcatra, mas tem um detalhe... como se pede picanha na Argentina? Mesmo procurando nos tipos de carne a venda não achamos a picanha ou algum nome que fosse parecido. Na confusão o açougueiro trouxe uma galinha no lugar da nossa querida picanha. Não sabendo o que fazer questionei o açougueiro se era possível o Paulo entrar na câmara fria e achar a picanha. Segundo o proprietário não havia problemas e lá foi o Paulo passar frio para achar a nossa carne. Depois de um tempo volta ele feliz por ter encontrado, e nós por saber que a nossa "picanha" é o "tapa" para os Argentinos. Ao voltar para a Kombi com a picanha, a alcatra e o carvão, vimos um homem conversando com o pessoal, ao chegar perto vimos que era um cigano vendendo facas. Mãe do céu como ele "pentelhou" para que comprássemos as facas. Nós não querendo e ele empurrando as benditas facas. Fazia preços ora altos, ora baixos. Um saco, encheu tanto que o Paulo comprou duas facas para se livrar do individuo. Quando íamos saindo ele segura a porta e volta a conversar, a mãe do céu que situação. Para irmos de uma vez, fui bem grosso liguei a Kombi e fui finalizando o assunto, mal fechamos a porta já saí arrancando. Risos da situação agora tínhamos que achar o caminho para o camping. Liguei o meu GPS mental e fui indo para onde acreditava que tinha que ir, e novamente deu certo. Chegamos e tudo estava em seu lugar, todo o povo que passou por ali durante a tarde inteira nem tocou nas coisas. Que povo educado!!

Aproveitando que ainda estamos no camping, "Camping 2 de Febrero", este é o nome, fui tomar mais um banho. Quando estava entrando no banheiro fui avisado que o pessoal da portaria queria falar com um de nós. Como era eu que tinha a grana e que falava um castelhano arrastado fui ver o que era antes de tomar o banho. Chegando lá a coisa era simples, era para saber se íamos ficar mais uma noite. Ao confirmar a senhora ia me cobrar 21 pesos. 21 pesos!? Como assim se pagamos 7 para a noite passada. Daí ela me explicou que o valor era cobrado por barraca (carpa), como tínhamos duas 14 pesos por noite, e como nos cobraram só 7 na primeira noite ela estava cobrando os 7 que faltavam. Muito justo, mas resolvi dar uma chorada. Expliquei para ela que não tínhamos entendido que o valor era cobrado por barraca, e que tínhamos entendido que o valor era por carro, por isso que tínhamos pago somente 7 pesos na primeira noite. E propus para ela pagar o correto para esta noite, 14 pesos. Ela aceitou sem problemas, tudo pago e acertado, agora sim vou tomar o meu banho.

Banho tomado, tava na hora de encher o bucho. Comer uma picanha e um vazio na brasa. Para ficar mais bonito só faltava um espeto, não é comum na Argentina espetarem a carne, eles fazem tudo na grelha. O resultado pode-se dizer que é o mesmo, culturas a parte a carne estava um luxo. Como sempre macia, suculenta e de um sabor sem igual. Depois de comermos aparece o "Pedro" o vigia do lugar, veio para saber se estava tudo bem. E tirar uma dúvida sobre a bandeira que estava pendurada. Não entendia de que país nós vínhamos.

Não se lembrava de nenhum país com o nome de "Rio Grandense". Explicamos para ele que esta era a bandeira de um estado do Brasil, e tinha "Republica" no nome por causa do movimento separatista. Falamos também sobre o porquê vermelho na bandeira, enfim contamos um pouco da história do nosso querido estado. Dúvida sanada, pedimos para que ele escrevesse algo na bandeira, ele o fez e foi embora. Já estava ficando tarde e nada das gurias aparecerem. Estávamos num misto de ansiedade e tristeza por causa disso. Esperamos um tempo e depois de todos irem dormir só restando eu, o Gustavo e o Vini acordados, resolvemos por dar uma caminhada no centro da cidade. Ver se tinha algum bar aberto, beber uma cerveja para seguir viagem no dia seguinte...

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